terça-feira, 1 de março de 2011

O melhor dos últimos tempos!




O post de hoje é na verdade um aplauso escrito a um espetacular ator da nova geração, Marcos Veras. Eu sempre gostei muito de teatro e sempre que sobra um qualquer (porque é caro mesmo $), é o que eu escolho fazer pra me divertir! Graças a veia humoristica do meu namorado, tenho optado pelas comédias e por sugestão dele fomos até o Teatro do Leblon  assistir Falando a Veras.
O Marcos Veras é um cara branquelo com cara de estudante de informática da PUC. Não tem aquela cara debochada da maioria dos comediantes, humoristas, engraçados, enfim... Mas quando ele começa a falar, liga instantaneamente o botão do riso em cada espectador e só desliga quando fecham as cortinas.
O cara é muito bom. Na verdade, o melhor! Inteligentíssimo.
Nós ficamos tão fãs que assistimos na sexta e voltamos no sábado, porque não encontramos nenhum outro programa que pudesse nos divertir tanto.
Stand up virou moda. Todo mundo acha que é engraçado e quer fazer show de humor em aniversários de família, confraternização, naquele happy hour descontraido...Mas não é bem assim.
Depois dele prestigiamos a galera do Comédia em Pé, Ox Exculaxados, o lendário Sergio Malandro, Rock Bola, ... e Comédia Sentado, em Pé e Deitado (com Wagner Trindade). Nada tinha graça. Esse último até valeu a pena, acredito eu que seja pelo fato de o Wagner Trindade contracenar com Marcos Veras na TV, deve ter adquirido "graça" por osmose.
Não percam a oportunidade de conferir. Rir com vontade é um remédio eficaz pra um montão de males!

Fica a dica!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Como em Caverna do Dragão: o final feliz nunca chega!


Salve, salve galera "fechamento" que lê, critica e compartilha minhas idéias.

Sei que "geral" tá no esquenta pro carnaval, a festa da carne (uhuuulll), todo mundo preocupado com o incêndio trágico que destruiu o trabalho de um ano inteiro de três queridas escolas. Fato lamentável, mas...o assunto de hoje é outro!

A operação para instalação da UPP no Complexo do Alemão foi "um luxo"! Menos pra mim...
Enquanto todo mundo ficava vidrado nas imagens de faroeste transmitidas em tempo real pela TV, posts nos twitter, ti ti ti pelas ruas, eu resmungava muito "bolada" que aquilo tudo estava parecendo um circo! E "geral" me olhando torto, achando que eu era a favor da bandidagem, do tráfico e das ações terroristas que os vagabundos resolveram praticar por aí.
Não era isso. Não precisa ter dons mediúnicos, receber entidade, pular fogueira santa pra saber o final dessa história. Basta ser realista...e isso eu sou de sobra.
Nossa força policial não é confiável, infelizmente! Uma pá de cidadão, que em busca da estabilidade do emprego público, termina frustrada com a vulnerabilidade da profissão, ganham uma miséria e tem que "botar a cara pra rolo". Daí o capetinha surrando o caminho do sucesso financeiro no ouvido desses caras acaba conseguindo corrompê-los e pronto. "Neguinho" entrega operação, vende armamento, devolve apreensão, "fecha" com traficante e vamos que vamos. É a vista grossa facilmente comprada com um "cafezinho" ou propina, como quiserem chamar.
E a população iludida por vontade própria, dá entrevista denunciando, "X-nova", faz o diabo achando que - dessa vez - estará livre da ditadura do crime.
Nada feito. O tempo passa, metade do efetivo usado na ocupação do morro desce, a galera do movimento sai da entoca e a população se f#&%! E ninguém vê, nem comenta. Nenhum artista vai lá defender os interesses daquela gente. Ninguém vai protestar, gritar, quebrar tudo na Secretaria de Segurança, no Palácio Guanabara e depois posta, orgulhoso, fotos no twitter, no orkut... Essa turma gosta mesmo é de fazer firula.
Ninguém noticia, nem cometa em voz alta as denúncias dos moradores de que o tráfico tá voltando cheio de ódio no pulmão (uma vez que eles não têm coração), porque em qualquer favela do mundo, X-9 não tem vez, nem proteção, nem garantias, né Sr. Beltrame?
Um vexame. Como sempre.
Minha sugestão para uma tentativa de mudança seria um intercâmbio com soldados israelenses. Eles resolveriam tudo em 2 dias e todo mundo ia se orgulhar de uma guerra verdadeiramente vencida.
Podem me chamar de desacreditada, insensível, do que quiserem. Minha capacidade de enxergar a vida exatamente como ela é, de saber que o dinheiro (principalmente o sujo) compra o que for nesse país, me definem como REALISTA.
Não tô diante de nenhuma novidade. Já sabia, com toda certeza, como essa brincadeirinha ia terminar.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

A segunda entrevista do bandido - Reflexões de um líder sobre a guerra, por Arnaldo Jabor

"Em maio de 2006, tu me entrevistou... Estou lembrado da tua cara... Saiu até no Harper's Magazine... em inglês...
Agora estão me mudando de Catanduvas, acho que para Roraima, sei lá. Mas, creia que eu não ordenei ataque nenhum, que não sou burro. Você acha que eu ia queimar ônibus e jogar a população contra nós? Isso é coisa de traficas idiotas...

Na época, você me perguntou como entrei no crime e eu te disse que eu era invisível desde menino... Vocês nunca me olharam durante décadas... E olha que era mole resolver o problema da miséria... O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias... A solução é que nunca vinha...

O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos de barracos ou nas músicas românticas sobre a "beleza dos morros ao amanhecer", essas coisas... Os policiais eram considerados bandidos e nos éramos heróis, lembra? "Vítimas da miséria." É; mas quem fez o crime crescer não foi a miséria; foi o capitalismo, cara. Com a multinacional do pó, ficamos ricos e as armas chegaram... Aí começou o "que horror!", "que medo!" entre vocês do asfalto. Nós fomos o início tardio de vossa consciência social...

- Como assim?

Nós somos filhos tortos do crescimento econômico; e vocês também. Nosso enriquecimento e virulência obrigaram vocês a se modernizarem na repressão. De certa forma, vocês aprenderam conosco, numa espécie de "formação reativa dialética". Viu, como sou culto? ...Li centenas de livros em Catanduvas.

- Sim, mas você que viveu na barra-pesada, me diga, qual é a solução?

Vocês só chegam a algum sucesso se desistirem de defender a "normalidade". Olha aqui, mano, não há mais solução! A própria ideia de "solução" já é um equívoco pequeno-burguês... há há ...é filosoficamente uma esperança vã!

Mas, vou ser franco contigo, na boa, na moral: estamos todos no centro do "Insolúvel". Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira.

Só que nós sabemos que não há saída. Só a morte ou a merda. E nós já trabalhamos dentro delas. A morte para vocês é um drama cristão numa cama. A morte para nós é o "presunto" diário, desovado na vala... Vocês, intelectuais, não falavam em "luta de classes", em "seja marginal seja herói"? Pois é: somos nós! Há há...

Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivada na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro "Alien" escondido nas brechas da cidade. Você não ouve as gravações feitas "com autorização da Justiça"? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de Pós-Miséria. Isso. Há uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação social, são fungos de um grande erro sujo.

- O que mudou nas periferias?

Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$ 40 milhões, como o Beira Mar, não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel. Quem vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produtos vêm de fora; somos globais.

- Você acha que o caminho é esse?

Vocês estão fazendo uma crítica da própria incompetência. Esse negócio das UPPs é muito bom. É a primeira coisa imaginosa que apareceu. Mas, se não houver uma reforma geral das instituições, as UPPs podem morrer na praia. Elas mantêm o paciente vivo, mas não combatem a doença original.

Tem de haver uma reforma radical do processo penal do País, tem de haver comunicação e inteligência entre policias municipais, estaduais e federais, programas sociais e educação. Tudo bem... agora melhorou muito; aumentou o pragmatismo e a eficiência. Nós sempre estivemos no ataque; vocês na defesa. Agora tudo se inverteu. Parabéns.

A repressão aprendeu muito conosco. A polícia e a política aprenderam com o excesso de horrores que já produzimos nos últimos 30 anos, aprenderam com os tremores da população, com os ônibus pegando fogo, com as cabeças cortadas, com os micro-ondas torrando os X-9s , aprenderam que não há mais solução e sim "processo" e por isso vocês estão ganhando terreno. Parabéns. Mas, agora como se diz no Exército, está na hora do "aproveitamento do êxito". Não adianta tomar o morro e depois sair, não adianta matar, celebrar vitórias, não adianta nada se...

- Sim, o que devem fazer as forças policiais?

Vou dar um toque, mesmo contra mim. Escreve aí: peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas.

Isso não é assunto para polícia, não. Isso é uma questão de Estado, é tão importante quanto impedir o desmatamento. Está havendo uma mudança psicológica na população. Faz parte do crescimento econômico. Não é bom para o mercado uma zorra como a nossa. A produção no mundo está nos obrigando à modernização e à democracia. Eu estou falando como um cientista político porque sou um cientista sobre mim mesmo - há, há... Meu destino está traçado, o sangue está grudado em mim, mas o destino de vocês também está. Eu vejo hoje muito mais do que via, mas vocês também têm de mudar. Estou lendo o Klausewitz - Sobre a Guerra - e digo que vocês não podem esperar uma vitória total, solução, a paz em Ipanema e o mundo voltando atrás. Nunca mais.

É com no Oriente Médio, com os homens-bomba. Nunca haverá uma vitória clássica. Dá para melhorar, urbanizar, civilizar, mas o mundo de hoje tem um preço trágico que todos terão de pagar. Todos vamos conviver com a própria miséria.

De qualquer forma, parabéns... por linhas tortas chegaram lá. A história não é uma linha reta. É um ziguezague. Vocês nunca terão uma solução completa, mas, ao menos, já conhecem o problema...

Vamos lá... Vou vazar para Roraima... mas, olha, cara: não há mais segurança máxima na vida...

Bye bye, Catanduvas... "

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Continua lindo?



A nova cena carioca não está perdendo em nada pro Afeganistão. Ou melhor... nós ainda, eu disse AINDA, não temos homens-bomba! Detesto hipocrisia, não vou dizer que estou chocada, que acho tudo isso um absurdo, bandidos cruéis, blá blá blá...
Estamos falando de marginais, excluídos sociais que exercem poder sobre uma camada oprimida da sociedade, muitas vezes, garantindo-lhes direitos básicos que deveriam ser oferecidos pelo governo. Assim ganham súditos fiéis que matam, ateam fogo e fazem o que preciso for pra defender os interesses do seu líder.
A moral desta história bizarra é que a Patota do Cabral, pensando que isso aqui era Portugal, operou, invadiu, instalou UPP e esqueceu do "asfalto". Não é de hoje que a população tá sentindo o efeito colateral dessas incalculadas ocupações.
É que desta vez, o "se liga" da bandidagem foi articulado, até mais organizado que as incurssões dos nossos bravos ventríloquos de Caveiras que depois de passarem meses em treinamento assassino, vão para as ruas cheios de ódio nos corações e não podem cumprir seu papel. Com vagabundo na mira de suas pontentes armas, precisam aguardar um OK do Capitão, que aguarda um OK do Secretário, que aguarda um OK do Governador, que por interesses políticos, financeiros e muitos outros, "peida" e os bandidos "metem o pé" pelo mato afora!
Me digam com sinceridade: Vocês acham mesmo que o BOPE tá feliz por ter deixado dúzias de sementinhas do mal escaparem? A tropa de elite carioca não invade morro pra prender ninguém e quem está ali esperando por eles, com certeza, não é pra oferecer um copo d'água ou uma oração. É guerra.
No desenrolar da história, tivemos incontáveis incêndios, inúmeras balas perdidas, alguns (poucos) mortos e toneladas de sujeira debaixo do tapete. E depois desse alarde todo, a vida da população vai voltando a normalidade, a memória fraca do brasileiro manda esse fato pro beleléu e pronto.
Tudo volta a ser como era antes, com um diferencial: No fim, ninguém vai saber dizer o nome do Presidente do BNDES, nomeado por Dona Dilma, porque voltou toda sua atenção para a ocupação mais "comédia" dos últimos tempos.
Na moral, se o Globocop atirasse, a parada seria outra!


Que São Cristovão guarde os motoristas, porque se eles dependerem de alguma outra proteção...coitados!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

25 de Outubro - Dia da Democracia



Imagem: Guto Cassiano

No fim de semana você decidirá qual dos empenhados artistas ficará com o número principal de um cansativo espetáculo que durará 4 anos.
Acostumado com a inércia, porque ser revolucionário cansa, irá reclamando (mais ainda se fizer sol) até as urnas doido para acabar logo com aquilo, escolherá obrigatoriamente entre as duas terríveis opções que te resta e sentará desanimado para assistir às repetitivas cenas :

Os ricos tornando-se cada vez mais ricos;
A camada marginalizada da população sofrendo com o descaso;
Os imóveis do PAC sendo entregues aos integrantes da classe média que (descaradamente) alugarão os mesmos aos moradores das comunidades que deveriam ser os beneficiários;
Uma dezena de bolsas e benefícios em nome dos parentes dos senhores políticos;

E assim vai...

Eu (incorruptível), decidi  exercer minha visão de democracia: R$3,51 é o valor da multa por não ser conivente com essa brincadeira sem nenhuma graça. A solução dos meus problemas. Prefiro, por espontânea vontade, pagar R$30, para assistir o Marcos Frota e seu incrível circo, pelo menos sairei de lá satisfeita e impressionada com a brilhante atuação dos artistas de verdade. Eles sim trabalham com amor.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Boas ondas do Cantagalo

video
O desejo de todo surfista é encontrar a onda perfeita e nessa busca incansável descobri que essa tão sonhada onda não está nas paradisíacas praias do Hawaii. O pico fica no coração da Zona Sul carioca: Morro do Cantagalo, Brasil.


Num CIEP da comunidade, está a sede do Favela Surf Club, um projeto que a mais de 20 anos leva educação e cidadania ao dia-a-dia de crianças e adolescentes através do surfe.

Comandado pelos instrutores Rogério e Tiola, o projeto foi recentemente beneficiado pelo quadro "Lar Doce Lar" do programa Caldeirão do Huck, passando por reforma total, o que garantiu fôlego novo aos coordenadores e alunos.

Na sede do projeto, os alunos participam de atividades culturais, profissionalizantes, sem esquecer das importantes noções de preservação do Meio Ambiente. Com a reforma, o Favela Surf Club ganhou uma loja que comercializa vestuário e acessórios para a prática do esporte, auditório, fábrica de pranchas e salão de atividades.

Meses depois de todas essas mudanças estruturais, estive visitando o projeto com a intenção de saber o tamanho do impacto que a transformAÇÃO teria causado nas vidas dos envolvidos. Encontrei a sede intacta, funcionando a todo vapor e um campeonato mundial de surfe profissional sendo realizado nas areias do Arpoador com realização do Favela Surf Club.

Correndo eufóricos de um lado pro outro com suas novas roupas de borracha, estavam Pikachu e Mansini, alunos da escolinha, que na semana anterior defenderam a bandeira do Favela Surf Club no Campeonato Estadual Sub-14, na Praia do Recreio, atingindo resultados surpreendentes. Pikachu tem 10 anos, é o mascote do FSC, órfão de pai (morto em confronto com a polícia) e dono de um estilo único quando desliza sobre as ondas. Quando perguntei o que ele esperava do futuro, a resposta foi imediata e precisa:

"Quero ser o melhor surfista do Arpoador. Ajudar quem precisa, ser trabalhador, porque bandido... um dia morre."

Toda a equipe do Oakley Rio Pro International 2010 tinha alguma ligação com o projeto: um simpático recepcionista de atletas bilingue, jurados, seguranças, auxiliares de serviços gerais e na execução Rogério, Tiola e Alexandre "Pretão", a eficaz equipe que faz o FSC acontecer.

O clima era um misto de agitação, alegria e esperança. É que em meio a correria para fazer com que tudo desse certo e atenção redobrada às notas, baterias e ao vento que parecia querer estragar a festa, ainda sobrava tempo para torcer por Marcelo Bispo, o "Preto Louro" e Simão Romão, surfistas profissionais, "crias" dessa iniciativa que é a prova que força de vontade aliada às boas oportunidades podem transformar tristes realidades em grandes histórias de sucesso.

O Favela Surf Club fica na Rua Saint Romain, 200
Morro do Cantagalo, Rio de Janeiro
http://www.favelasurfclub.org.br/
favelasurfclub@gmail.com

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Na janela da favela: Enquanto o MUndo DANÇA, eu penso em MUDANÇA!

Na janela da favela: Enquanto o MUndo DANÇA, eu penso em MUDANÇA!: "O 'dicionarioweb.com.br' me apresentou o seguinte significado para a palavra... Resistência (re-sis-tên-cia) s. f. Qualidade de um corpo..."